Será que nós realmente precisamos de um canudo de plástico?

De repente, tudo virou descartável. E isso tem afetado negativamente todo Planeta. O canudo de plástico que o diga. Veja se ele é realmente necessário na sua vida.

Quando eu era criança e ia com meus pais em restaurantes, não lembro da presença dele, o bendito canudo de plástico. Só podíamos tomar refrigerantes em ocasiões como essa. A bebida vinha em garrafas de vidro e depois era servida em copos. Simples assim. Mas as coisas mudam, como tudo na vida.

Na tentativa de facilitar o dia a dia corrido, eles foram chegando e tomaram conta de todas as bebidas. São milhões descartados diariamente, em todos os lugares. Às vezes, são usados até para tomar um simples copo de água. E quando não vêm dentro da bebida, a acompanha, ao lado, dentro de uma embalagem, também de plástico. Aí, é rasgar a embalagem, colocar no copo, sorver tudo, descartar. Dizem que essa sequência de uso não dura mais que 10 minutos; às vezes, bem menos dependendo da nossa pressa.

E todo mundo está sempre apressado, né? Sobra pouco tempo para tudo. Talvez por isso seja difícil parar para pensar que, na maior parte das vezes, a gente não precisa usar canudo de plástico. Há exceções, claro, como em toda regra. E, via de regra, não precisamos desse acessório. E aquelas bebidas densas, que precisam mexer ou misturar? Para isso, uma colher é perfeita. Quero acreditar que nenhum estabelecimento vai se recusar a emprestar uma colher. Em caso de dúvida, que tal andar com uma na bolsa? Não custa nada.

Mas por que complicar o que já é fácil?

Porque depois do uso, a gente pensa que o canudo de plástico vai parar no lixo e está tudo resolvido. Mas nem sempre vai. O plástico é reciclável, mas não há viabilidade econômica para que ele seja realmente reciclado. Por ser leve, pode viajar quilômetros e quilômetros, e ser levado pela chuva ou vento para a natureza. E nela, vai ficar para sempre.

O plástico pode até se decompor em partículas, mas nunca vai desaparecer. Se parar num aterro sanitário, que benção; mas se parar no mar, que pesadelo. Pesadelo para os animais, como aquela tartaruga que ficou com um canudo preso nas narinas. Pesadelo para a gente também, pois microplásticos estão em todo lugar e podem afetar nossa saúde.

Leis contra o canudo de plástico ajudam, mas a conscientização é mais eficaz

No segundo semestre deste ano, a cidade do Rio de Janeiro se tornou a primeira do Brasil a proibir a distribuição de canudo de plástico por restaurantes, bares, quiosques ou por qualquer estabelecimento comercial. No lugar dele, a sugestão é o uso de canudos feito de papel ou materiais biodegradáveis. A lei foi bastante comemorada por quem se preocupa com o meio ambiente. A comemoração é válida, uma vez que o canudo de plástico é um dos itens mais presentes no lixo encontrado nos oceanos.

Mas teve também quem ficou preocupado. Houve quem reclamou do prazo curto – menos de três meses – para os estabelecimentos comerciais fazerem a mudança. E houve quem pediu, com razão, para que se lembrassem de pessoas com deficiência, que necessitam do canudo para ingerir líquidos. Marina Batista, do blog Rodando pela Vida, cadeirante e tetraparésica por doença degenerativa, explicou o drama de quem precisa, por questão de sobrevivência, usar canudos. Eles precisam ser flexíveis, como os de plástico, para que sejam melhor manuseados.

A observação de Marina é pertinente. Para ela e outras pessoas que – realmente – precisam do canudo de plástico, é urgente propor uma solução. Enquanto ela não chega, que tal deixar os canudos para quem depende deles? Se não é o meu, o seu e o caso da maioria das pessoas, que tal evitar esse acessório? Quando o garçom vier com ele, diga que não precisa. E lembre-se de pedir que não o coloquem nas bebidas. Mas se você não quer abrir mão do canudo, tudo bem. Há opções mais ecológicas e – melhor – duráveis. Tem de bambu, de vidro, de inox. Leve o seu sempre na bolsa e seja feliz!

Se este post lhe ajudou a ver que nem tudo precisa ser descartável e que o canudo de plástico é desnecessário na sua vida, compartilhe-o nas suas redes sociais. Quem sabe mais pessoas gostariam de conhecer estas informações. E continue acompanhando os textos publicados aqui no site da Keep Eco.

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Ciléia Pontes

All stories by: Ciléia Pontes

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