Como mudar o mundo a partir do lugar onde você mora

Pode parecer utopia, mas em várias partes do planeta há pessoas agindo para mudar o mundo a partir do lugar onde elas vivem. Quem sabe você não pode ser uma dessas pessoas?

Quem nunca teve vontade de mudar o mundo? E quem nunca ouviu que isso é impossível? À primeira vista, pode parecer um desejo pretensioso, nem um pouco fácil de concretizar, mas não é nada ilusório. A boa notícia é que há muita gente ao redor do planeta promovendo verdadeiras mudanças a partir de onde vivem. São pessoas que colocam em prática a máxima “pense globalmente, aja localmente”.

Um exemplo é o movimento organizado em 2006 por dois cidadãos de uma pequena cidade da Inglaterra – chamada Totnes – e que hoje está presente em mais de 300 cidades espalhadas em 50 países. Chamado de Transition Towns ou Cidades em Transição, em português, o movimento foi organizado por Rob Hopkins e Naresh Giangrande. Eles envolveram toda a comunidade em ações para tornar a cidade mais independente em relação ao uso do petróleo, já se adiantando para a escassez do futuro e para os efeitos das mudanças climáticas.

Como assim escassez de petróleo? Poisé. Um fenômeno conhecido como “pico do petróleo” (peak oil) está previsto para acontecer em um futuro nem tão distante assim. Segundo explicações do movimento, não significa que o petróleo da Terra vai se esgotar, mas sua extração se tornará tão difícil e, portanto, tão cara que ficará impossível garantir nosso atual modo de vida usando esse recurso natural. Você tem percebido como está cada vez mais caro abastecer o carro? Então, vai ficar pior.

Rob Hopkins. Foto: Stephen Prior

Para se antecipar a isso, os moradores de Totnes estão investindo em energias renováveis (como energia solar e energia eólica) em casas e comércio e, claro, optando por transportes alternativos, que não usem combustíveis fósseis. Incentivo ao consumo local, organização de hortas comunitárias, gestão horizontal (as decisões são tomadas em conjunto pela comunidade), promoção de justiça social e até a criação de uma moeda própria são outras ações organizadas naquela cidade, tornando-a mais preparada para o pico do petróleo e para as consequências das mudanças do clima da Terra.

E se a sua cidade ou o bairro onde você vive fosse assim também? Impossível? Não mesmo. Para fazer com que as experiências de sucesso em Totnes pudessem ser reproduzidas em outros lugares, Rob Hopkins e demais organizadores do movimento Cidades em Transição escreveram um manual, que pode ser adaptado à realidade de cada lugar. Para conhecer esse manual, em português, acesse aqui.

 

Mais exemplos de como é possível mudar o mundo a partir do local onde você vive

Outro exemplo de uma ação local que se espalhou mundo afora é o Dia Mundial da Limpeza. Um grupo de pessoas da Estônia, na Europa, não se conformou com a sujeira que tomava conta do país e resolveu agir. O grupo conseguiu mobilizar milhares de pessoas e, em cinco horas, limparam todo país.

Hoje a iniciativa acontece em mais de 150 países. Em 2018 chegou ao Brasil, onde mais de 400 cidades participaram. Para saber como você pode organizar ou participar do Dia Mundial da Limpeza na sua cidade, que em 2019 está marcado para o dia 21 de setembro (Dia da Árvore!), entre em contato, por meio deste site, com o grupo que coordena a ação no Brasil.

Plantando Comida – Além de uma ação de limpeza na sua rua, no seu bairro ou mesmo em toda sua cidade, você pode mudar o mundo a partir da alimentação.  Que tal se inspirar em coletivos que criam hortas urbanas e comunitárias? Em São Paulo, por exemplo, já existem dezenas espalhadas por várias partes da cidade. Além de fornecer alimentos frescos e saudáveis, as hortas nas áreas urbanas ajudam a combater as chamadas “ilhas de calor”, pois proporcionam a ampliação da vegetação no bairro.  Sem falar que mexer com a terra é uma ótima terapia de combate ao estresse. Para saber mais sobre como iniciar uma horta comunitária, veja algumas dicas da jornalista e agricultora urbana Claudia Visoni, da Horta das Corujas, uma das mais famosas da capital paulista.

 

Horta das Corujas. Foto: Marcos Santos

Agora, se você tem o desejo de mudar o mundo, mas nenhuma dessas opções fez o seu coração bater mais forte, nosso conselho é procurar responder às seguintes perguntas: o que o incomoda quando olha ao redor? Você quer ajudar a melhorar esse incômodo? Saber isso pode ser mais importante do que saber como fazer. Vamos começar? Partiu mudar o mundo?

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Ciléia Pontes

All stories by: Ciléia Pontes

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