Como a Comunicação Não Violenta pode melhorar a celebração do Natal em família

Natal é tempo de estar perto de quem amamos. Mas conviver é difícil. Aprenda como usar a
comunicação não violenta para ter uma ceia de verdadeiras paz e harmonia.

Seja do jeito que for, ou onde for, quem comemora o Natal remete essa comemoração a estar junto da família. De sangue, de coração, a escolhida, a aceita. Seja como for a família, passar o Natal com ela é tão tradicional quanto a data em si. Contudo, ao contrário do que poderia ser, esses momentos nem sempre são agradáveis, especialmente nos últimos anos, em que o mundo ganhou polaridades para além do norte e do sul. As “tretas” nas reuniões das famílias tomaram uma proporção que tem provocado separações de entes. Para quem quer salvar a ceia e a harmonia em casa, uma solução é adotar os princípios da chamada Comunicação Não Violenta (CNV). 

O termo foi desenvolvido principalmente por Marshall Rosenberg e sua abordagem é voltada para a criação de relações mais autênticas, empáticas e sem medo de mostrar vulnerabilidades. A ideia central da Comunicação Não Violenta é promover conversas e diálogos que permitam a conexão com o outro, escutando-o ativamente, de forma sincera, com o objetivo de entender o que ele diz. 

E ao contrário do que muita gente acredita, adotar a Comunicação Não Violenta não significa ser passivo, “engolir sapo”, deixar de dizer o que precisa para não criar conflito. A ideia é justamente o contrário: você precisa falar o que sente, mostrar seu descontentamento com algo e precisa sinalizar o que precisa que a outra pessoa faça para você se sentir atendido. 

Portanto, nas reuniões de Natal, de nada vai adiantar se esconder daquele parente com quem você se distanciou por causa das eleições passadas. Ou virar a cara para quem teve uma atitude que o desagradou. Procure começar, manter e terminar diálogos de forma que todas as partes envolvidas saiam, pelo menos, se sentindo respeitadas. Sabemos que não é algo fácil, mas é um exercício a se fazer. 

Para quem quiser entender melhor, conversamos com a facilitadora de processos de mudança e em Comunicação Não Violenta, Camila Heloísa Silveira. Ela respondeu algumas perguntinhas da Keep Eco sobre o assunto. Confira abaixo:

1) Como a comunicação não violenta pode ajudar as pessoas a aproveitarem verdadeiramente os festejos de fim de ano?

Camila – A comunicação não violenta é uma possibilidade de uma maior verdade entre a pessoa com ela mesma e os demais. Sabemos que é desafiador conviver – ainda que por um período com intenções celebrativas – com quem muito conhece sobre nós, sobre nossa essência e sobre o nosso compromisso e comprometimento de evolução constante nessa viagem chamada vida. Aproveitar oportunidades como essa, de estar frente a frente, em família, com espelhos tão “limpos”, é sim, algo passível de muita celebração. É preciso coragem para compartilhar as alegrias, os medos, as frustrações, enfim, nossas celebrações e lutos.  É uma escolha para atingir o propósito de evoluir em comunidade, e que quando consciente do que podemos fazer, tornamos nossa vida mais maravilhosa. 

2) A Comunicação Não Violenta ajuda a evitar conflitos? Se sim, de que maneira? 

Camila – A CNV abre as portas para o conflito, mas com o objetivo de aproximar e não de distanciar. Com a visão de mundo que a CNV nos oportuniza, reconhecer nesses “espelhos” com tamanha clareza o que incomoda, preocupa ou inspira, fomenta  aquilo que tanto nos convida a transformar em nosso viver. Se tivermos disposição e disponibilidade, qualidade de presença, interesse genuíno em (re)conhecer a si, ao outro, e a todos, com escuta ativa e empática, sempre com a cabeça, coração e fazer no mesmo lugar, expressando verbalmente nossos sentimentos e nossa responsabilidade pelos mesmos, podemos encontrar caminhos para a conexão genuína, evitar os conflitos e transformá-los em conexão.

3) Evitar os temas espinhosos é a melhor solução ou é possível divergir com respeito e continuar sendo o orgulho da mamãe e do papai?

Camila – Apesar das opiniões diferentes queremos as mesmas coisas: ser feliz e não sofrer.  Neste ponto de vista, estamos todos do mesmo lado. Criar campos seguros para exercitar aceitação do diferente, e acolhimento de outras visões de mundo que, muitas vezes podem ser complementares, é uma experiência que pode ser incrível. Vale experimentar. 

4) O que fazer quando o incômodo por uma opinião ou atitude de um familiar fica insuportável?

Camila – Em uma situação insuportável talvez seja melhor se afastar para ter espaço de se entender e se acolher. Reconhecer que, para atender nossas necessidades, as estratégias são muitas, diversas, que o caminho é longo, árduo, exigente e cheio de tropeços pode ser uma belíssima oportunidade de conexão. 

5) Como intervir nos conflitos criados pelos outros e salvar a ceia de Natal?

Camila – Os julgamentos que estão cristalizados sobre mim e sobre o outro, quem eu “já sei” como é, os gatilhos que quando colocados à prova em cada nova inserção com nossos familiares, são o campo perfeito para conflitos. É importante validar necessidades que estejam se apresentando e juntos ampliar as estratégias para cuidar daquilo que importa. O exercício de reconhecer o que está vivo em mim e expressar com autonomia e autenticidade através dos princípios da CNV, é um dos caminhos. 

6) Que outras dicas você pode dar para quem quiser ter só lembranças boas do Natal em família?

Camila – Ver a humanidade que existe nos outros e em nós mesmos.

Agora que você já conhece um pouco do que é Comunicação Não Violenta e como ela pode ajudá-lo nas relações familiares, especialmente nesta época de Natal, desejamos que estas informações possam contribuir para que você tenha momentos incríveis junto às pessoas que mais ama. A Keep Eco te deseja um Feliz Ano Natal e um 2020 com muitas conexões e relações verdadeiras. Até mais! 

AUTHOR

Ciléia Pontes

All stories by: Ciléia Pontes

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